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Direito eleitoral – Tema: Direito Eleitoral. Interpretação contemporânea do art. 216 do código eleitoral.

Direito eleitoral – Tema: Direito Eleitoral. Interpretação contemporânea do art. 216 do código eleitoral.

Razoável duração do processo como direito fundamental do cidadão. Eficácia e efetividade das decisões judiciais.

Ementa:

01 – O princípio da razoável duração do processo incorporado em nosso ordenamento jurídico constitucional, por via da Emenda Constitucional n. 45, de 2004, é considerado como tendo natureza de Direito Fundamental.

02 – Há de o Poder Judiciário emprestar o máximo de eficácia e efetividade ao princípio acima mencionado para fazer cumprir a vontade constitucional.

03 – A garantia da razoável duração do processo constituí valor contribuidor para o aperfeiçoamento da democracia.

04 – A prática de procrastinação processual constitui ato atentatório à

dignidade da Justiça.

05 – O art. 216 do Código Eleitoral há de ser interpretado, na atualidade, de

acordo com o princípio de direito fundamental instituído pelo inciso LXXVIII do artigo 59 da Constituição Federal, bem como, voltado para emprestar o máximo de eficácia e efetividade ao princípio da moralidade no ato da captação de sufrágio eleitoral para cargos públicos.

06 – A eficácia e a efetividade das decisões judiciais eleitorais visam aprimorar o exercício dos direito políticos positivos do cidadão.

07 – É inadmissível que não seja cumprida decisão proferida por Tribunal Regional Eleitoral que considerou procedente recurso contra a expedição de diploma de candidato que, indevidamente, há 2 (dois) anos e 11 meses, exerce o cargo de Prefeito, quando foi reconhecido pelo Corte de Segundo Grau que praticou abuso de poder político, conduta vedada e abuso de poder económico.

08 – Cargo político de comando da Municipalidade que está sendo exercido

por quem, reconhecidamente, foi considerado como tendo praticado desvios graves de conduta durante as eleições.

09 – A exigência de direito formal contida no art. 216, redação do ano de 1965, não se compatibiliza com os princípios defendidos e postos na Constituição

Federal de 1988 para purificar a captação de sufrágio eleitoral para cargos públicos.

10 – Não há ambiente jurídico permitindo que o Poder Judiciário admita que

o candidato eleito com votos obtidos ilegalmente, fatos reconhecidos, em processo que obedeceu ao devido processo legal e à regra da ampla defesa, pelo Tribunal Regional Eleitoral, exerça o mandato de Prefeito por ter praticado atos de procrastinação resultantes na criação de obstáculos para o andamento do feito em prazo razoável.

11 – Tem o candidato colocado em segundo lugar o direito de ser diplomado, após a determinação do afastamento do candidato eleito irregularmente, e de tomar posse no cargo de Prefeito para completar o mandato, conforme reconhecido pela Justiça Eleitoral.

JOSÉ AUGUSTO DELGADO – Ministro aposentado do STJ

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