Entrevista para o FInsiders. Leia a íntegra
O avanço da Inteligência Artificial (IA) não apenas apoia diversas áreas das empresas, como também se tornou um instrumento capaz de sofisticar fraudes documentais e financeiras. Segundo a Sumsub, empresa de verificação de identidade, as fraudes com deepfakes cresceram 126% no Brasil em 2025. Com isso, o País concentrou cerca de 39% dos casos na América Latina. Na visão de especialistas, para evitar fraudes desse tipo, as fintechs precisam investir em uma arquitetura de segurança em camadas.
O deepfake é uma tecnologia que utiliza IA para criar ou alterar vídeos, áudios e imagens de forma extremamente realista. Assim, faz parecer que uma pessoa disse ou fez algo que, na realidade, nunca aconteceu.
Hoje, a IA Generativa (GenAI) pode ser usada para alterar contratos, documentos de identidade e procurações, modificando dados sensíveis. No entanto, com a IA, essa aparência se tornou muito mais fácil de fabricar.
Em quais etapas aparecem os golpes
Na prática, a Inteligência Artificial permite manipular campos críticos, como valores, datas, dados bancários e partes contratantes.
As tentativas de fraudes aparecem em diferentes etapas, explica João Antonio Arantes, advogado especializado em Direito Digital e Compliance da Lopes & Castelo Sociedade de Advogados. Na fase que antecede a assinatura do contrato, por exemplo, essas artimanhas costumam envolver a criação de documentos falsos que parecem autênticos, a adulteração de informações ou o uso da identidade de uma das partes envolvidas na negociação.
Já durante a execução do contrato, as fraudes podem envolver a criação de comunicações, ordens de pagamento, aditivos ou solicitações falsas de alteração de dados cadastrais. Além disso, costumam ser potencializadas pelo uso de ferramentas capazes de reproduzir a voz ou a imagem de representantes legítimos das partes, ou seja, o deepfake.
Nesse cenário, a prática não serve apenas para enganar sistemas, mas também para convencer pessoas. Ao simular voz, imagem, presença e autoridade de alguém real, o fraudador transforma uma fraude documental em uma fraude de confiança. Além disso, a falsificação da identidade de uma das partes durante a celebração do contrato está entre as práticas mais comuns.





