O ano de 2025 vai ficando para trás, mas com toda a certeza, foi um ano que nos trouxe muitos ensinamentos. Se 2025 tivesse algumas palavras-chave, elas seriam adaptação, revelação, limpeza e ressignificação.
Foi um ano que exigiu leitura fina do cenário, capacidade de correção de rota e, principalmente, maturidade empresarial. Não foi um ano confortável, e talvez nem de crescimento para muitos, mas foi um ano extremamente revelador. Revelou quem tem gestão, quem tem estratégia e quem vinha apenas tocando o negócio, enquanto o ambiente externo mudava rapidamente.
E essa distinção será ainda mais clara em 2026.
Tudo indica que estamos às vésperas de um ano divisor de águas para o ambiente empresarial brasileiro, não por um único fator, mas pela convergência de vários movimentos relevantes, tais como a Copa do Mundo, Eleições Presidenciais em um ambiente extremamente polarizado e politizado, o avanço concreto da Reforma Tributária, mudanças no tratamento fiscal da distribuição de lucros, fortalecimento do combate ao devedor contumaz e um mercado de M&A cada vez mais ativo e seletivo.
Esse conjunto cria um cenário de incerteza estrutural, mas também de oportunidade estratégica para empresas que se antecipam e que entendem que, preparação é a chave para atravessar momentos turbulentos e desafiadores.
A Reforma Tributária deixa de ser discurso e passa a ser realidade operacional
Durante anos, a Reforma Tributária foi tratada como um tema distante, quase teórico. Mas aquilo que para muitos era algo distante, em 2026 mudou de patamar. As empresas começarão a sentir, de forma prática, os efeitos do novo modelo sobre preço, margem, contratos, cadeia de fornecedores, logística, compliance fiscal e tomada de decisão estratégica.
Não se trata apenas de novos tributos, mas de uma mudança profunda na lógica de tributação do consumo no Brasil. Isso exigirá integração entre áreas que historicamente operaram de forma isolada, como as áreas fiscal, financeira, comercial, jurídica e operacional.
Empresas que não compreenderem esse impacto de forma sistêmica correrão o risco de:
- perder competitividade,
- errar na formação de preços,
- comprometer margens,
- assumir riscos fiscais desnecessários.
Não basta ter sistema, tem que ter método, não basta ter ERP, tem que ter treinamento, não basta acreditar que sistemas integrados resolverão todos os problemas, é preciso olhar no detalhe, na composição do preço, na matéria prima utilizada, na cadeia logística, no operacional, produção. Quem não entendeu isso ainda, provavelmente estará fora do jogo em breve.
A pergunta que muitos empresários ainda não fizeram, mas que em algum momento precisarão fazer é simples, mas cirúrgica. “O meu modelo de negócio continua eficiente no novo sistema tributário?” E aí, como você responderia a esta pergunta?
Distribuição de lucros, governança e o novo olhar do Fisco
Outro ponto que tende a ganhar força em 2026 é o debate sobre a tributação na distribuição de lucros. Independentemente do formato final, o simples avanço dessa discussão já impõe uma mudança de postura, como mais organização societária, mais disciplina contábil e mais clareza na separação entre pessoa física e jurídica.
Como eu já havia dito no passado, em minha opinião a Lei 15.270/2025 já nasceu inconstitucional, e aqui teríamos vários pontos a debater, como por exemplo o fato da lei retroagir de forma prejudicial ao Contribuinte, situação que é vedada no ordenamento jurídico brasileiro.
Quando o Governo impõe nova tributação a lucros e dividendos já constituídos, ele está fazendo com que a lei retroaja a seu favor, ferindo assim princípios constitucionais valiosos e consolidados.
Não tenho dúvidas que esse tema será objeto de grandes disputas judiciais, o que na verdade já começou, inclusive com decisões favoráveis aos contribuintes.
Outro ponto de atenção está na informalidade que ainda persiste em muitas estruturas empresariais e que se tornará um risco real.
Nesse mesmo movimento, cresce o protagonismo da figura do devedor contumaz. O recado é claro e direto. O Estado passa a diferenciar quem enfrenta dificuldades legítimas de quem estrutura o negócio para não pagar tributos de forma recorrente. Isso impacta não apenas empresas em situação fiscal delicada, mas também grupos econômicos, sócios, administradores e operações societárias. Com isso, a Governança deixa de ser “luxo” e passa a ser instrumento de proteção.
Gestão de pessoas, compliance e reestruturação: do discurso à sobrevivência
Se há algo que 2025 deixou evidente é que estrutura pesada, processos ineficientes e gestão improvisada custam caro. Em 2026, esse custo tende a aumentar.
Gestão de pessoas estará no centro da estratégia empresarial, seja pela escassez de talentos, seja pelo impacto direto da produtividade no resultado.
Compliance, por sua vez, deixa de ser apenas um selo bonito e passa a ser exigência de mercado, bancos, investidores, parceiros e compradores.
Ao mesmo tempo, reestruturação de negócios deixa de ser sinônimo de crise e passa a ser sinônimo de inteligência estratégica. Rever custos, modelos operacionais, estrutura societária e fluxos financeiros será uma necessidade para muitas empresas que desejam crescer ou simplesmente permanecer relevantes.
M&A: um mercado que cresce, mas também seleciona
O mercado de fusões e aquisições no Brasil segue em expansão, mas cada vez mais profissional, criterioso e seletivo. Há capital disponível, há interesse, mas há também rigor na análise.
E aqui reside um ponto crucial, pois empresas não perdem oportunidades de M&A por falta de comprador, mas por falta de preparação.
Problemas societários, passivos ocultos, desorganização fiscal, ausência de compliance e fragilidade contratual destroem valor, muitas vezes antes mesmo de a negociação começar.
Preparar-se para M&A não significa querer vender a empresa amanhã. Significa tornar o negócio mais sólido, mais atrativo e mais protegido, independentemente do caminho escolhido, como por exemplo, crescimento orgânico, captação de investimento, venda parcial ou total.
O ano de 2026 não será um ano para amadores
O ambiente empresarial está mais complexo, mais integrado e menos tolerante a improvisos, dito isso, 2026 exigirá:
- visão estratégica,
- leitura de cenário,
- capacidade de antecipação,
- decisões baseadas em dados e estrutura.
Não será um ano para quem apenas reage aos acontecimentos. Será um ano para quem se posiciona.
A grande diferença entre empresas que atravessam ciclos turbulentos e aquelas que ficam pelo caminho não está no tamanho ou no faturamento, mas na qualidade das decisões tomadas antes da crise se instalar.
A reflexão final é inevitável, sua empresa está se preparando para o Brasil que vem aí, ou apenas tentando sobreviver ao Brasil que já mudou?
Que em 2026 possamos ter ao nosso lado, pessoas honestas, leais, éticas e comprometidas com a verdade, pois são pessoas assim que fazem a diferença no mundo, o resto, é apenas resto.
Por fim, deixo aqui um infográfico do qual resumo os pontos elencados neste artigo.
Desejo a todos que as festividades de final de ano sejam comemoradas com as pessoas que amam e que de fato são importantes para cada um de vocês.

Por Luis Castelo
Advogado Sócio-Fundador Lopes & Castelo Sociedade de Advogados





