Carga tributária continua alta, mesmo com pacote à indústria
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Carga tributária continua alta, mesmo com pacote à indústria

SÃO PAULO – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo federal deverá renunciar em torno de R$ 10 bilhões nos próximos 12 meses com o novo pacote de estímulo do Plano Brasil Maior divulgado ontem. Desse total, entre R$ 5 bilhões serão “perdidos” somente neste ano. Contudo, a maioria dos especialistas acredita que essas mudanças não reduzem a alta carga tributária, apontada como um fator que impede a competitividade de todos os setores no Brasil.

Na opinião do ministro, com essas medidas, “acreditamos que o Brasil terá o estímulo necessário para continuar na trajetória de crescimento econômico”. Neste ano, o avanço pode ser e 4,5%”, estimou Mantega. Já economistas como o professor da Anhembi Morumbi, Marcello Gonella, entendem que o esforço fiscal deveria ser maior. “Se avaliarmos que de arrecadação tributária federal, o primeiro trimestre somou cerca de R$ 400 bilhões, R$ 5 bilhões – que devem ser renunciados neste ano – é somente de 2% a 3% desse montante recolhido. Ou seja, não vão ocorrer grandes mudanças”, avalia o professor.

Segundo ele, o governo está a tomar medidas paliativas que não ajudam a aumentar a competitividade da indústria nacional. “Para resolver isso, deveriam ter mais reduções de alíquotas ou eliminar alguns impostos, como o IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados]. Além disso, deveria haver uma maior integração entre governo federal e estados, já que, mesmo que os impostos federais pesem mais, os estaduais também prejudica o empresário”, diz. “Com essas medidas anunciadas ontem, ai indústria continua a sofrer com a carga tributária e a economia segue com a tendência de crescer perto dos 3%”, complementa.

IPI

Ainda ontem, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, disse que o governo aumentará o IPI no segmento de bebidas frias, como cervejas e refrigerantes. “Haverá reajuste do IPI e outras medidas complementares. Os detalhes serão divulgados amanhã [hoje] pela Receita Federal, quando serão publicas todas as medidas.”

De acordo com ele, o aumento trata-se de uma correção da tabela de preços de bebidas, que é feita todos os anos. Mesmo assim, o secretário admitiu que as desonerações anunciadas ontem devem ser compensadas para que não haja comprometimento do cumprimento pelo governo do superávit primário. Essa compensação será feita, segundo Barbosa, com o aumento da arrecadação e a elevação de tributos.

Mais cedo, o ministro da Fazenda havia afirmado que haveria elevação dos impostos de bebidas e fumo. No caso de cigarros, o secretário explicou que a medida já foi anunciada no final do ano passado e que as correções entram em vigor em abril.

Fonte: DCI – Diário Comércio Indústria & Serviços

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