Em decisão consensual, Banco Central corta juro a 9%
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Em decisão consensual, Banco Central corta juro a 9%

SÃO PAULO – O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu na noite de ontem baixar em 0,75% a taxa básica de juros (Selic) a 9% ao ano (a.a), sem viés. A decisão foi consensual. Com essa queda, o Brasil deixou de ter a maior taxa de juros reais do mundo. Segundo levantamento feito pelo analista internacional da Apregoa.com – Cruzeiro do Sul, Jason Vieira, a taxa de juros reais do País ficou em 3,4% ao ano enquanto na Rússia a taxa é de 4,2%.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) comemorou essa decisão do Copom e afirmou que o Comitê “acertou mais uma vez”. A instituição não vê preocupação com a inflação. “A retração nos preços dos produtos industriais e a desaceleração dos preços dos alimentos, assim como nos administrados, devem garantir uma inflação anual próxima ao centro da meta”, disse a nota.

O presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), Paulo Skaf, declarou que a queda nos juros precisa chegar também aos tomadores finais. Skaf lembrou que os ganhos de eficiência e escala, conquistados pelos bancos brasileiros com o crescimento do mercado de crédito, não se refletiram na oferta de financiamentos mais baratos.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) destaca que o novo corte representa uma economia de mais de R$ 11 bilhões ao ano, ou quase R$ 1 bilhão por mês, aos cofres públicos. Isso porque, mais de 75% dos R$ 2 trilhões de dívida pública do País estão ligados, de alguma forma, à taxa básica.

Especialistas consultados pelo DCI já esperavam que essa fosse a opção do Banco Central, pois na ata da última reunião do comitê foi explicitado que a Selic chegaria próximo a patamares da taxa mais baixa atingida, que foi de 8,75% nos anos de 2009 e 2010.

Para Márcio Cardoso, “o Banco Central não pode criar instabilidade, ele tem dado transparência ao mercado, é bom para o mercado porque dá uma certa tranquilidade, uma previsibilidade”.

Para José Francisco Lima Gonçalves, economista, a autoridade monetária levou em conta a inflação que foi “surpreendentemente baixa neste primeiro trimestre para tomar a decisão”. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de preços, registrou, no acumulado dos primeiros três meses do ano, alta 1,22%. O centro da meta do IPCA para este ano é de 4,5%.

Para a economista Alessandra Ribeiro, a autoridade monetária está “encerrando o ciclo de afrouxamento monetário”. Mas ela acredita que a manutenção da taxa Selic neste patamar só será possível até o final deste ano pois a economia deve sofrer aceleração que pode influenciar na inflação já no segundo semestre. Em 2013, na previsão da especialista, a taxa básica de juros pode chegar até 11%.

Segundo o último relatório Focus publicado pelo Banco Central nesta semana , a taxa Selic deve se manter em 9% durante todo o ano, mas em 2013 alcança o patamar de 10% a.a.

O economista José Francisco discorda e diz que essa taxa de 9% deve ser mantida pela autoridade monetária “por bastante tempo”. Ele explica “há outras maneiras como medidas administrativas e macroprudenciais para controlar a alta da inflação”.

Para a economista Alessandra Ribeiro, o governo só consegue reduzir a taxa de juros de forma conjuntural. As medidas que possibilitam a redução estrutural da Selic não estão sendo tomadas. Essas medidas passariam pela redução de gastos públicos para conseguir um superávit primário maior. “O que a gente observa é que os gastos continuam crescendo e o superávit primário vem sendo baseado muito em receita, o governo continua um grande demandador, um dos agentes econômicos que mais consomem , se não limitar esses gasto do governo fica difícil [a redução estrutural]”, disse Alessandra.

O professor Fabrício Pessato, acredita que um importante fator que pode influenciar na necessidade de uma alta da taxa básica de juros no começo do próximo ano é a chamada “correção monetária da inflação”, ele explica que os preços corrigidos pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) são reajustados no começo de todos os anos por uma inflação baseada na taxa do ano anterior “as tarifas sofrem a correção automática da inflação passada, por isso de janeiro a abril costuma ser um período de alta da inflação”.

O diretor Márcio Cardoso não concorda que o governo não esteja fazendo a coisa certa, “o governo está fazendo a parte dele, o nível de desemprego está baixo, a pirâmide social está mudando de forma.

O economista norte-americano ganhador do prêmio Nobel de 2008, Paul Krugman, elogiou, em evento realizado ontem em São Paulo, a atuação do governo para reduzir a entrada de dólares, como cortar a taxa básica de juros. “Eu faria o mesmo”, disse. “A situação é muito difícil. Não tenho uma solução eficiente para aconselhar”, avaliou.

Fonte: DCI – Diário Comércio Indústria & Serviços

Por Paula de Paula

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