Entrevista para a Forbes. Leia a íntegra https://forbes.com.br/forbes-money/2026/05/itau-e-google-se-unem-para-barrar-golpe-do-falso-gerente-antes-do-alo/
Uma cliente de banco recebe uma ligação de um suposto gerente oferecendo migração para uma conta Prime, com isenção de tarifas. O falso funcionário conhece dados bancários da vítima e orienta o acesso a um link enviado por WhatsApp. Depois da leitura de um QR Code, dinheiro, são feitos um empréstimo de R$ 25 mil e um Pix de R$ 7.102,44 em sua conta.
Ela avisa o banco rapidamente. O empréstimo foi cancelado, mas o valor transferido por Pix não foi recuperado. O caso foi parar na Justiça e em agosto de 2025, a Justiça julgou improcedente o pedido de restituição da cliente. A decisão, disponível no site Jus Brasil, indica que, embora a cliente tenha sido vítima de fraude, as operações foram feitas com senha pessoal e token de segurança, o que afastou a responsabilidade dobanco.
Casos como esse têm se espalhado pelo Brasil e ajudam a explicar por que bancos e empresas de tecnologia tentam agir antes que o golpe chegue ao momento mais sensível: a conversa entre criminoso e vítima.
Nesta quarta-feira, 13, uma parceria entre Itaú Unibanco e Google foi anunciada para combater o golpe do falso gerente, também conhecido como golpe da falsa central de atendimento.
O usuário não precisa configurar nada. A proteção funciona em segundo plano. A chamada não chega a tocar e aparece apenas no histórico do aparelho.
“A parceria com o Google chega como mais um complemento importante à nossa atuação de prevenção a golpes, sem deixar de lado a autonomia financeira dos nossos clientes. Estamos usando a tecnologia a nosso favor para desarmar o fraudador antes mesmo que ele consiga falar com a potencial vítima”, afirma Ana Leda Guedes Tavares, superintendente de Prevenção a Fraudes do Itaú Unibanco.
Segundo ela, o diferencial da solução está no alcance. “Ela protege qualquer pessoa que use o sistema Android no Brasil, basta ter um dos aplicativos do Itaú instalado, seja pessoa física ou jurídica.
Os criminosos adaptam suas estratégias constantemente e o nosso papel é estar sempre um passo à frente, unindo forças com grandes parceiros tecnológicos para criar barreiras invisíveis e eficazes.”
O que a Justiça tem decidido
A tecnologia chega em um momento em que o golpe do falso gerente se tornou mais sofisticado e também mais difícil de enquadrar juridicamente. A discussão, nos tribunais, costuma girar em torno de uma pergunta central: houve falha do banco ou culpa da vítima?
Para Sandra Lopes, sócia da Lopes & Castelo Sociedade de Advogados, a responsabilidade precisa ser analisada conforme as circunstâncias de cada caso. Quando a vítima fornece senhas, códigos de verificação ou informações sigilosas a terceiros, é comum que a Justiça reconheça culpa concorrente ou até afaste a responsabilidade da instituição financeira.





