O número de empresas que pediu recuperação judicial neste ano é o mais alto desde que a Lei nº 11.101 – que regulamenta o assunto – entrou em vigor, em 2005. De janeiro a junho, foram 492 solicitações. De acordo com a Serasa Experian, o número cresceu 20% no primeiro semestre, quando comparado ao mesmo período do ano passado. As estatísticas também mostram que em 2008, ano da crise internacional que desacelerou fortemente a economia brasileira, 312 recuperações foram apresentadas ao Judiciário.
Diferentemente de períodos anteriores, a medida tem sido requerida por empresas das mais diversas áreas, com destaque para indústria, varejo e agronegócio. Na indústria, os segmentos de óleo e gás e construção são destaques negativos. “Nunca vimos tantos setores pedindo recuperação ao mesmo tempo”, afirma Júlio Mandel, cujo escritório atende apenas casos de recuperação e falências.
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De acordo com especialistas, o segundo semestre poderá ser ainda pior, com um maior número de pedidos de recuperação judicial, pelo que chamam de “efeito dominó”. Sem receber, os fornecedores das empresas que já estão ou pedem recuperação também devem procurar esse caminho para evitar a falência. “A situação de quem está na cadeia produtiva é complicadíssima. Acredito que vamos continuar falando muito sobre recuperação judicial pelo menos pelos próximos cinco anos, afirma o advogado Adauto Ferreira.
A necessária reestruturação das companhias tem movimentado os escritórios de advocacia e levado à contratação de profissionais para atender o aumento da demanda. Um escritório, por exemplo, decidiu contratar mais profissionais após um aumento de 35% no volume de clientes.
Por Joice Bacelo
Fonte: Valor Econômico
